3 de novembro de 2010

Seremos nós também uns cegos sem tempo?


Como no dia 30 alguns membros do grupo tinham reunião do crisma, a nossa reunião realizou-se de manhã.
Com caras ainda de quem estava a dormir, o tema da reunião foi abordado através de uma dinâmica em que os elementos do grupo foram presos pelas pernas 3 a 3, e cada um tinha que fingir ser surdo, cego ou mudo, enquanto atravessavam um percurso cheio de obstáculos. Mas com um bocadinho de batotice à mistura, o trajecto até foi relativamente fácil ;)
Juntámo-nos, então, de novo, e começámos a recordar dois objectos que fizeram parte do retiro de grupo: uma venda e uma bola. E, através deles, reflectimos sobre aquilo que tínhamos experenciado no retiro…
Descobrimos que ser cego é muito difícil nos dias de hoje, e que pode tornar coisas banais, como tomar uma refeição, em enormes obstáculos. No entanto, e infelizmente, já não é necessária uma venda para se ser cego. Muitos de nós somos ou já fomos cegos… Cegos, porque não reparamos nos outros, nas suas necessidades, nos seus sentimentos. Porque no nosso egoísmo só pensamos em nós e nosso bem-estar, e o que interessa é que "eu esteja bem", e o resto não importa. E se para isso tivermos que magoar os outros, mentir, ignorá-los, então tudo bem. O que importa é o que eu sinto, o que importa é o meu conforto…

Mas se Deus é amor e nós não manifestamos esse amor para com os outros, então tornamo-nos não só cegos mas também surdos no escutar da Sua Palavra e mudos no anunciar da nossa Fé e do Seu amor... E a vida não pode ser vivida assim!
Recordando a história contada por um grupo durante o retiro, descobrimos que uma amizade se pode prolongar pelo tempo e mesmo apesar da distância física, se alguém der o primeiro passo para o encontro dos dois. O problema, é quando na geração de hoje, não encontramos vontade para pegar num telemóvel e fazer essa chamada, a convidar para um encontro. O problema, é quando temos preguiça de mandar uma simples mensagem, um simples toque, como quem diz "olha, estamos longe mas eu não me esqueço de ti"… O problema, é quando muitos de nós não aguardam pela resposta depois de fazermos a típica pergunta "olá, tudo bem?"… Somos egoístas, donos do nosso próprio nariz e do nosso tempo, não nos queremos incomodar, cedemos à preguiça e acomodamo-nos…
E assim, tornamo-nos não só cegos, surdos e mudos, mas uns cegos, surdos e mudos "sem tempo"... 
Apenas encontramos tempo para nós, e para aquilo que nós queremos fazer. As necessidades dos outros, a dor dos outros, torna-se secundária!
Mas, afinal, não é o Senhor quem nos dá esse mesmo tempo que gastamos todos os dias? Não terá também Ele, direito a um bocadinho do nosso tempo? Desse tempo que, afinal, não é nosso mas sim Dele? Como podemos dizer que não temos tempo para amar, para ouvir os outros, para para ir à eucaristia escutar a Palavra, para partilhar a nossa fé nos grupos religiosos, para estar com aqueles que nos são queridos e partilhar o Amor com a nossa família?
Que Deus nos ajude a tirar a venda!
Felizmente, na reunião de Sábado, alguns conseguiram tirá-la e reparar na dor causada aos outros.
 

Mas e tu? Já retiraste a tua?

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